Curso vai formar pesquisadores populares no Sol Nascente e Pôr do Sol

Na última segunda-feira (10/4), a Fiocruz Brasília realizou, na Ceilândia (DF), o lançamento do Curso de Formação de Pesquisadores Populares em Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável do Sol Nascente e Pôr do Sol. A capacitação busca formar 20 pesquisadores populares nos dois locais do Distrito Federal, para desenvolver uma rede de Inteligência Cooperativa voltada para o monitoramento e avaliação de vulnerabilidades sociais e territoriais, visando fortalecer governanças locais com políticas públicas para o desenvolvimento do território, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030.

A formação faz parte do projeto Rede de Radares de Territórios do DF: Sala de Cooperação Social, promovido em parceria entre o Colaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS) da Fiocruz Brasília e o Instituto de Pesquisa e Estatística (IPEDF) e conta com o apoio do projeto Jovem de Expressão, o Radar de Territórios da Plataforma de Inteligência Cooperativa com Atenção Primária à Saúde (Picaps), Universidade de Brasília (UnB) e Escola Parque Anísio Teixeira.

Wagner Martins, coordenador do Colaboratório CTIS da Fiocruz Brasília, apresentou o curso de formação de pesquisadores populares explicando todo o processo do projeto até o momento. “Nós estamos, no Radar de Territórios, mapeando as potencialidades, vulnerabilidades, ameaças, junto com a comunidade. O mapa de risco que estamos fazendo nos permite gerar informações para que a comunidade atue na governança destes territórios”, disse.

Para a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, a partir da conexão com o território e com o trabalho, é possível ter um olhar mais crítico, reflexivo e propositivo, de forma coletiva. “Hoje, estarmos junto com vocês fazendo o lançamento deste curso, só reflete a necessidade de cada vez mais olharmos para a região de Sol Nascente e Pôr do Sol, para ajudar a combater todas as situações de violência, enfrentar os demais problemas sociais, olhar para as situações de desigualdade, de racismo e de vulnerabilidade. Para também ver a potência presente no território e, de forma criativa, construirmos uma outra realidade, mais justa e solidária”, destacou.

Já o presidente do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), Manoel Barros, afirmou que é preciso priorizar para iniciar a resolução de problemas nos territórios. “Estar aqui no lançamento do curso de Pesquisadores Populares, nos dá uma felicidade extra, porque a pesquisa, dentro da estrutura do IPEDF, é onde conseguimos extrair informações e dados que irão balizar a montagem de painéis como os apresentados por Wagner Martins. Existem ferramentas para isso, mas o mais importante é fazer boas perguntas e, com base nelas, ter um diagnóstico real do que é prioridade e o que incomoda mais a sociedade, para começar a resolver a partir daí”, disse. O evento contou com uma roda de conversa entre os participantes, com o intuito de promover a interação. Durante a roda de conversa foram ouvidas lideranças populares e representantes do governo.

Para Valdecir Silva, da Rede Social do Sol Nascente (Rede Sol), o projeto dá visibilidade aos territórios de Sol Nascente e Pôr do Sol. “Esse trabalho é de uma grande responsabilidade. Hoje, o território só é visto na televisão quando chove muito e leva a casa das pessoas”, pontuou. A professora Neide Sousa, diretora da Escola Parque Anísio Teixeira, revelou que as portas do local estão abertas para o projeto. “Projetos importantes e a comunidade de Ceilândia serão sempre muito bem-vindos. A escola pertence a vocês”, disse. Rayane Soares, coordenadora do Jovem de Expressão, reafirmou a importância do curso. “É uma ferramenta para trazer as pessoas que estão na comunidade, que sabem quais os problemas – e muitos deles sabem qual a solução – para buscar diálogos através dos dados”, afirmou.

O secretário do Meio Ambiente e Proteção Animal do Distrito Federal (Sema), Gutemberg Gomes ressaltou a importância da formação de pesquisadores populares para o território. “Não adianta dialogar sem fazer a transformação que a gente quer. A tomada de decisão só acontece com muito diálogo. E vocês conhecem a realidade do território”, destacou. Rangel Fernandes, assessor da deputada distrital Dayse Amarilio, pontou sobre a importância do trabalho feito pelos moradores do território. “Uma coisa que me alegra muito aqui é ver a ponta trabalhando. Quando podemos ter várias pessoas contribuindo e participando dessa iniciativa, sabemos que vai funcionar”, afirmou. Lucas Ladeira, assessor do deputado distrital Max Maciel, também frisou sobre a necessidade de políticas públicas para o local. “O Sol Nascente e Pôr do Sol carecem bastante de desenvolvimento sustentável e de todos os tipos de desenvolvimento. São muitas etapas que ainda têm que acontecer no território. As pessoas precisam de informação e de muita atenção”, pontuou.

Participaram ainda do evento movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Casa da Natureza, Ecos Cerrado, Movimento Economia Solidária do Sol Nascente, Justiça Comunitária do TJDFT, Rede Sol, Associação e Creche Pingo de Ouro – Sol Nascente, Jovem de Expressão, Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas), Prefeitura Comunitária do Sol Nascente, Padaria Solidária, Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem), Cozinha Solidária, Coletivo Filhas da Terra, Levante da Juventude e Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).

O projeto

A Rede de Radares para Territórios Saudáveis e Sustentáveis: Sala de Cooperação Social é uma iniciativa da Fiocruz Brasília, por meio do Colaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS), e da Codeplan. O projeto faz parte do convênio firmado entre as duas instituições para criar uma rede de inteligência cooperativa no Distrito Federal e fortalecer a governança local das políticas públicas para o desenvolvimento territorial, com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Com o projeto, será criada uma Sala de Cooperação Social, “dispositivo” de inteligência cooperativa para monitorar e avaliar as condições de vida em territórios de maior vulnerabilidade social. A Sala vai reunir e disponibilizar informações estruturadas e não estruturadas para orientar a ação coletiva, integrando pesquisa, educação e ações estratégicas na busca de soluções para os problemas relacionados às condições de vida no território. As informações poderão servir de subsídios para a vigilância popular em saúde e a tomada de decisão do poder público, sobretudo em momentos de crise, como no caso da pandemia de Covid-19.

Fotos: Ian Coelho/Fiocruz Brasília

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