Opas publica relatório final sobre equidade em saúde

Nas últimas décadas, a saúde na Região das Américas melhorou drasticamente, mas muitas pessoas estão sendo deixadas para trás. Esta é uma das principais conclusões do relatório Sociedades justas: Equidade em saúde e vida com dignidade lançado na terça-feira (1/10), durante a 57ª reunião do Conselho Diretivo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), que acontece nesta semana na sede da Opas, em Washington.

O relatório reúne evidências da relação entre saúde e fatores sociais, como a posição socioeconômica, a etnia, o gênero, a orientação sexual, a condição de deficiência, a situação de migrante – individualmente ou em combinação. Outros fatores estruturais, como a mudança climática, as ameaças ambientais e a relação da pessoa com a terra, também são apontados como determinantes para os padrões de saúde.

A análise observa a desigualdade dentro dos países e entre os países na região. Na Bolívia, por exemplo, a taxa de mortalidade abaixo de 5 anos para crianças indígenas é mais de três vezes maior que a de crianças não indígenas. As desigualdades persistem até o fim da vida; a expectativa de vida para as mulheres no Haiti, por exemplo, é de apenas 66 anos, enquanto para as mulheres no Canadá é de 84. Além disso, a comissão também destaca que a taxa de melhorias na saúde desacelerou em alguns países ou mesmo regrediu em relação a algumas medidas. Nos Estados Unidos da América, a expectativa de vida declinou por três anos consecutivos.

O documento propõe 12 recomendações para enfrentar a questão. A abordagem proposta é inovadora e vai além do setor da saúde. “Enxergamos este relatório como um passo em nossa jornada. A meta agora é encorajar ações em todos os países da região e prover aos governos e à sociedade a evidência que deve embasar a ação. Pode haver uma meta mais válida do que criar as condições para que todas as pessoas desta região tenham uma vida digna e, assim, promover a causa da equidade em saúde?”, afirma o presidente da comissão, Michael Marmot, que defende o uso de evidências, como as fornecidas pelo estudo, na implementação de políticas.

A Comissão sobre Equidade e Desigualdades em Saúde nas Américas foi criada em 2016 pela diretora da Opas, Carissa Etienne, para analisar o impacto dos fatores que influenciam a saúde e, ao mesmo tempo, propor ações para melhorar as desigualdades nessa área. A grupo reuniu doze especialistas, entre eles o ex-presidente da Fiocruz e atual coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss.

“Esse é o resultado de um trabalho de 3 anos de uma comissão multidisciplinar, que reuniu pessoas de formações diferentes, como médicos, advogados e economistas. Fomos a diferentes partes do continente e examinamos cerca de 400 referências bibliográficas sobre inequidades em saúde”, destacou Buss, ao insistir que os ministros e especialistas presentes na cerimônia de lançamento levem em conta suas recomendações. “É importante que deixemos para trás o desastroso e desanimador título de região mais desigual do mundo. É hora de dar um basta nisso e podemos fazê-lo.”, afirmou.

 

 

 

57º Conselho Diretivo da Opas

As principais autoridades de saúde das Américas do Norte, do Sul, Central e do Caribe estão reunidas esta semana para buscar acordos sobre estratégias e planos capazes de enfrentar desafios comuns à saúde. As discussões incluem um plano para reduzir as doenças cardiovasculares, eliminar os produtos industrializados produzidos com gorduras trans; uma estratégia para tornar o acesso a transplantes de órgãos, tecidos e células mais equitativo; e um plano para melhorar a qualidade do atendimento prestado nos serviços de saúde. O coordenador do Cris/Fiocruz, Paulo Buss, e o pesquisador Luiz Augusto Galvão estão acompanhando o evento como representantes da Fiocruz.

Por Julia Dias (AFN)

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