Fiocruz Brasília oferta oficina para orientar o planejamento da atenção básica no Rio Grande do Sul

 

Mariella de Oliveira-Costa – Assessoria de comunicação da Fiocruz Brasília

 

O Ministério da Saúde prioriza a atenção básica como organizadora da rede de saúde e  este desafio precisa estar no horizonte dos gestores municipais. É preciso ponderar também que a incorporação de tecnologias digitais, como o telesaúde, vai modificar o processo de trabalho e colocar a assistência e o acesso à saúde em um novo patamar.  Em 2017, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul detectou que um grande desafio para o SUS estava na integração da atenção especializada à atenção básica.

Sabe-se que a elaboração de estudos de futuro (cenários) sobre a atenção primária em saúde podem orientar o planejamento de longo prazo e a ação do controle social. Pensando nisso, a Fiocruz Brasília, por meio do Núcleo de Inteligência do Futuro, realiza hoje e amanhã (24 e 25 de abril), a  Oficina de Diálogos Prospectivos para a Atenção Primária  do Rio Grande do Sul, apresentando  a  Metodologia Fiocruz de Inteligência de futuro.

Durante a atividade, os participantes da Feira de Soluções para a Saúde: Saúde Única para Territórios Saudáveis e Sustentáveis, vão descrever os cenários de futuro da atenção básica estadual a partir de seus fatores críticos, para orientar o planejamento de longo prazo e monitoramento das ações em saúde no estado. “Analisar o cenário não é adivinhar o futuro, mas monitorar possibilidades para acompanhar por onde se tende a seguir e fazer as mudanças necessárias. Podemos antecipar as ameaças e preveni-las”, afirmou o coordenador de integração estratégica da Fiocruz Brasília, Wagner Martins, que conduz a oficina.

No primeiro dia de oficina, os pesquisadores selecionaram os fatores críticos e incertezas, delimitando o sistema e o ambiente, analisando sua estrutura, selecionando condicionantes de futuro e fazendo análise retrospectiva e da situação atual. Essa análise englobou variáveis que influenciam o sistema de saúde e poderão ser alteradas nos próximos anos, tais como a vigilância, a avaliação de tecnologias, as condições de trabalho e formação profissional, os hábitos de saúde da população, a sustentabilidade financeira, o desconhecimento da população sobre o SUS e o próprio SUS na mídia entre outros. A cada fator, se estabeleceu uma probabilidade de mudança. Além dos fatores críticos, condições internas e externas de diferentes naturezas e essenciais para a atenção primária também foram descritos.

Após a validação dos fatores, as incertezas foram selecionadas e descritos os comportamentos extremos ao ambiente.

De acordo com o analista de gestão da Fiocruz Brasília Márcio Cavalcante, este modelo culmina na elaboração de quatro cenários possíveis para cada variável, sendo um positivo, um negativo e outros dois intermediários. A partir daí, o cenário mais provável será detalhado, com a elaboração de hipóteses e de cenários prospectivos, encerrando com uma plenária de seleção do cenário foco. “Pensar os próximos 15 anos é importante para que haja tempo para alterar os percursos que forem detectados como negativos para o sistema de saúde,” disse.

Os resultados desta oficina serão inseridos em uma plataforma online que está em construção, o I- futuro, que vai possibilitar a consulta pública a partir de maio, no site da Fiocruz Brasília.

Esta atividade é parte de uma disciplina do Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde, da Escola Fiocruz de Governo/Fiocruz Brasília. Oferecida como curso de verão, a disciplina Inteligência do Futuro: Perspectiva para a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável possibilita que os alunos façam uma imersão na metodologia.

Durante a oficina, foi exibido ainda o vídeo Brasil 2035, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), em parceria com a  Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento, que traz resultados de um estudo que aponta incertezas e grandes tendências para os rumos do país, construindo quatro cenários possíveis para o Brasil de 2035. Clique aqui para assistir.  

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