Fiocruz pauta discussão sobre o desenvolvimento sustentável

 

Mariella de Oliveira-Costa

 

“Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração.”

Foi com os versos de Luiz Gonzaga, em Asa Branca, que o grupo de teatro do Núcleo de Educação e Cultura da cidade de Euzébio (CE) abriu o Seminário Agenda 2030 – parcerias para o desenvolvimento sustentável, realizado durante a Feira de Soluções para a Saúde, nesta quinta-feira, 17 de outubro, com moderação do coordenador de Integração Estratégica da Fiocruz Brasília, Wagner Martins. E a partir da peça teatral que apresentava a dureza do povo do semiárido, castigado com a seca, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, trouxe o conceito de desenvolvimento sustentável, segundo a Organização das Nações Unidas: processo no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e aumentam o potencial atual e futuro de atender às necessidades e aspirações humanas.

Ela disse que a Fiocruz participa das discussões sobre saúde e meio ambiente em âmbito internacional desde a Rio 92 e atualmente, está em um projeto de cooperação com o Fundação das Populações das Nações Unidas com foco na redução da mortalidade materna, baseada na equidade de gênero e estabelecimento de metas específicas relacionadas às mulheres. “Uma visão, três zeros” é o nome do projeto, que busca zerar as necessidades não atendidas para o planejamento familiar, zerar as mortes maternas evitáveis e a violência baseada no gênero e outras práticas.

A partir do livro Geografia da Fome, de Josué de Castro, publicado em 1942, Nísia foi enfática ao afirmar que sem se pensar na sustentabilidade, tem-se um jogo de perde-perde. “Todos perdem em um mundo marcado pela desigualdade e pobreza”, disse.

O coordenador da Agenda Fiocruz para a Estratégia 2030, Paulo Gadelha, apresentou a estratégia como algo universal, indivisível, integrado e aspiracional, a partir do mote “ninguém deixado para trás”. “Não basta deixar a ciência e tecnologia caminharem por si só, elas precisam ser direcionadas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Feira de Soluções para a Saúde se integra à estratégia da Agenda 2030.

Durante o seminário, outras três experiências foram apresentadas. O Programa Cidades Sustentáveis busca sensibilizar, mobilizar e oferecer ferramentas para que as cidades brasileiras se desenvolvam de forma econômica, social, e ambientalmente sustentável, para melhorar a qualidade de vida e o bem estar da sociedade. A coordenadora do programa, Zuleika Goulart, descreveu o funcionamento da plataforma em dados abertos desenvolvida para a implementação e monitoramento do programa, com 260 indicadores associados a 12 eixos temáticos e aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O site conta também com casos exemplares nacionais e internacionais, publicações e instrumentos de gestão, tais como o plano de ação sustentável dos municípios, por meio do qual os prefeitos e candidatos ao Executivo municipal se comprometem com a implementação. “No mesmo território, a ausência de políticas contribui para a desigualdade e impacta na expectativa de vida das populações,” disse.

Da Rede Brasil do Pacto Global, Marcelo Linguite apresentou o histórico do pacto da ONU para engajar empresas para o desenvolvimento sustentável. “A mudança de comportamento das pessoas, optando por coisas mais saudáveis, influencia as empresas, o consumo e o contexto de mercado”, afirmou.

A Plataforma Ceará 2050 também foi debatida durante o Seminário. Seu coordenador, o professor da universidade federal do Ceará, Barros Neto, explicou que o projeto está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável desde sua raiz, quando foi produzido um diagnóstico quantitativo e qualitativo do estado, com uma radiografia dos últimos 30 anos em diferentes aspectos. Após esse diagnóstico, foram produzidas inspirações de ação a partir de análise externa, benchmark, projeção de tendências e cenários atuais e futuros.   “A educação no estado do Ceará vem dando certo, pois é fruto de uma continuidade da política pública, independentemente de governo”, disse.

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